
Um amontoado de colchões, boas ideias e um grupo de amigos em volta de um microfone. É com ingredientes simples que “Velhas Verdades”, primeiro voo de Eduardo Mano e Os Tapetes Voadores (EMTV), foi concebido. E é na simplicidade de violões, pianos, percussões, baixos e guitarras semiacústicas que o álbum ganha seu diferencial.
Sem muito dinheiro, em um home estúdio improvisado nos fundos de casa, Eduardo e seus manos mostram o que são capazes de fazer, marcando território no circuito independente de música cristã e desbancando o atual modelo de worship music executado – exaustivamente, opino aqui – dentro das igrejas.
A mensagem é a mesma de 2.000 anos atrás: o amor de Cristo está na beleza das pequenas coisas e o Homem, estupidamente preso ao que os olhos podem ver, por vezes não percebe o tamanho da Graça oferecida. Parece pregação. E é. Mas em um formato que você talvez nunca tenha ouvido – ou não ouve há muito tempo.
Parte desta essência, assume Mano, autor das nove faixas que integram o disco, é influência dos grandes grupos dos anos 80, como o sempre citado Vencedores Por Cristo. Usando de harmonia e poesia puras, “Velhas Verdades” reconstrói a mensagem da cruz sem exageros neopentecostais ou erros de interpretação teológica.
Tudo ali fala de Cristo, da beleza da criação, das burradas que o Homem deu e continuará dando, ao menos que entenda a complexidade do que está sendo cantado – e pregado, reforço. E para boas letras, nada melhor que o folk. Bons arranjos de violões, sempre acompanhados por um piano pontualíssimo, fantasiam a atmosfera ideal para um fim de tarde.
Talvez uma paisagem seja a melhor imagem que expresse a sensação de ouvir “Velhas Verdades”. Guitarras em eco, maduras o suficiente para falar apenas o necessário, vozes suaves, sem melismas, agressividade e melancolia em flerte com o soft rock, tudo remete ao frio do inverno, reflexivo e aconchegante como só ele é. Não por acaso, algumas faixas do álbum, como “Tu És Deus” e “Mais Chegado”, poderiam integrar “Winter”, do Jon Foreman.
A produção/mixagem também merecem elogios. Nada se sobrepõe à mensagem em nenhum instante, ao contrário, o álbum inteiro é prova de que não é preciso apelar para as fórmulas prontas do worship australiano para levar um cristão sensível às lágrimas. “Raízes”, “Como Ninguém Me Conheces” e “Sem Fé” revelam um Eduardo Mano íntimo do que canta, tocado e tocante no uso dos versos que escreveu madrugadas afora.
Um álbum que pode não agradar a quem busca muita informação, mas que satisfará a alma de quem deseja ouvir mais uma vez aquela velha verdade de que só Cristo salva.
Rafael Porto
SERVIÇO
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